As Fortunate as Ana.


Postando, já que o trabalho não rende. Por um segundo eu posso ficar aqui, lidar só com letras. É como se eu voltasse a 2003, quando ainda não sabia o que era AutoCad, penas, layers, como se marca um corte e, principalmente, quanto tempo e atenção requer um corte. Enfim.


Nesse meio tempo, aconteceram algumas coisas. O Rafael teve um tumor e fui eu quem quase morreu do coração. Li sobre medicina, li sobre tumor parotídeo, lidei com as estatísticas danadinhas. Os médicos me diziam "tem 83% de chance de benignidade". Oras. E eu com isso? O dele é benigno? Porque pra quem está nos outros 17%, a maioria é uma sacanagem desgraçada. Punção, biópsia, parotidectomia. CID: D-210. Anatomopatológico. Atestado, auditoria na USP pra confirmarem se ele tinha um tumor, mesmo. Marcar cirurgia. Ficar esperando alguém aparecer. Alguém disse que estavam só esperando o resultado da "congelação" - e essa me pegou de surpresa. Poxa. Sobre congelação, eu não tinha lido nada. Queria meu computador, ali, na sala do hospital. Um minuto no Google e eu saberia. Queria que alguém ligasse e me dissesse se ele tinha voltado da anestesia, se o nervo facial tinha permanecido intacto. Queria mesmo era o Rafael, do meu lado, não na mesa de cirurgia. Já que é pra falar sobre o que eu queria, queria que ele não tivesse tido nada e nós tivéssemos empenhado o dinheiro do tratamento e dos exames em uma viagem pra Maracangalha.

O Rafael está bem. Li o Anatomopatológico procurando pelo benigno e ele estava lá, "sem sinais de malignidade".



É mais do que um clichê dizer como esse tipo de susto faz você reavaliar sua vida, querer aproveitar cada momento, dar valor às pequenas coisas. Bom. Vou pular essa parte, então. Fico um pouco tensa porque dou valor às pequenas coisas e tenho consciência da importância do Rafael na minha vida - então, essa parte foi mais uma "hora da revisão", pra mim. Daí fiquei procurando o que tirar disso tudo...Claro que eu achei um monte de coisas. Claro. Nós, bons e velhos seres humanos, sempre achamos. O mais importante, é claro que eu não postaria aqui. Seria muito "auto-ajuda", totalmente fora da linha deste blog sem linha editorial nenhuma. Mas teve uma coisa, uma grande coisa, tão importante quanto a lição que eu tirei disso tudo e que não é "auto-ajuda", portanto, publicável: a minha sorte.

Eu tenho sorte. Sorte de ter tanta gente com coração por perto. Gente que fez de tudo pra ajudar, gente que perdoou minha falta de tempo e de cabeça, gente que viu que eu não estava bem e resolveu falar de outras coisas pra me distrair. Gente que ofereceu casa, ouvidos, transporte, companhia. Gente que ligou pra saber, mandou e-mail, distraiu o Rafa antes e depois da cirurgia.

Deu pra ver que, sem essa gente, sobra muito pouco de mim. =*

Escrito por Ana às 18h18
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Hoje eu estou com raiva.


Mas tanta raiva, tanta raiva, que nem cliquei no link da UOL que tratava da libertação da Ingrid Bittencourt. Não li as notícias lá de baixo, que falam de Wimbledon e de celebridades famosas se beijando em lugares públicos.

Hoje eu estou com raiva.


Muita, mas muita raiva, mesmo.


Eu quero botar uma mochila nas costas - e ir pra Maracangalha. Se Amália não quiser ir, eu vou só. E dane-se o mundo.
Porque hoje, hoje sim, eu estou putíssima.

Escrito por Ana às 18h17
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Ai, ai. Meu aniversário, hoje.

Muito estranho fazer aniversário. Quanto mais os anos passam, mais estranho fica.

Quando eu era pequena, tinha tempo de pensar em como tinha sido aquele ano na minha vida, em como eu gostaria que fosse o próximo, em como esse dia é curioso, cheio de votos alheios, telefonemas que te deixam sem graça e todas essas coisas.
Hoje, no entanto, mal deu tempo de pensar em qualquer coisa que não fosse a faculdade, a Santa Casa, meu trabalho final de graduação. De maneira que eu ainda não pensei muito sobre o ano dos meus vinte e um anos - muito menos no ano dos vinte e dois, que começou às 14h25 de hoje. Enfim.

Eu tinha tempo de pensar nos presentes. Tinha tempo de fazer contas sobre quem lembrou ou não lembrou que hoje é meu aniversário. Hoje não deu tempo de nada - faz anos que não dá. Duvido que vá dar tempo de pensar em presentes quando eu me tornar balzaquiana. ¬¬

Acho engraçado como as pessoas conseguem lidar bem com aniversários. Achar que é um dia sem importância, que não precisa de bolo, de parabéns, de nada. Adoro meu aniversário. Fico feliz e melancólica - por causa dos anos a menos, que a cada ano me assustam mais. Mas adoro. Não sei lidar com telefonemas de aniversário, não sei agradecer presentes e me comporto mal em festas, mas gosto desse dia em que eu vim ao mundo. Gosto do mundo, eu acho. Vai ver que essa é relação bizarro/sem nexo que eu faço, todos os anos, pra achar que esse dia é importante pra mim. Pelo menos tenho consciência de que é importante pra mim e não pra todo mundo (aí não seria um caso bizarro e sim de autocentrismo). =)

Hoje cheguei a uma conclusão: que bom que eu não tenho que me dar presentes. Nossa, eu sou uma pessoa difícil pra presente. Credo. Que bom que as pessoas que me dão presentes têm um bom senso de discernimento e me dão coisas de que eu gosto. Não sei se eu acertaria. ^^

Escrito por Ana às 19h34
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Postando - pra "atender melhor a demanda" ou porque eu tive tempo de pensar (depois de duas semanas com a mente no cabresto do projeto).

 

Resumindo, minha vida literária tá uma bosta. =/

Não mandei meu "original" pra Companhia das Letras (e tô com medo de entrar no site e descobrir que o prazo acabou). Não escrevi o conto pra mandar pra FLIP. Não sei se tenho cinquenta reais pra inscrever um conto na FLIP. Certamente não tenho um conto. UM. Por isso disse: minha vida literária está uma bosta. Fiquei pensando, vai ver que ser escritora não está na minha alma. Vai ver eu sou mais ou menos como aqueles escritores que só escrevem uma coisa e depois...nunca mais. Medo. Daí penso que, por eu ter medo de não ter a escrita na minha alma, ela está lá - com publicação ou não, conto ou não, livro ou não. Eu escrevo o tempo todo (na minha mente. O papel sente falta?). ^^

 

Falando da vida-bandida, o estágio de "desenho de móveis com madeira de café" está curioso. Porque nós passamos horas e horas selecionando vocábulos e conceitos e depois descobrimos que não conseguimos explicar para as pessoas onde fica 1,5cm na régua. Tá sendo um tapa na cara - do tipo bom. É nessas horas que você tem contato com sabedorias curiosíssimas, como a que o senhor artesão me contou: "eu fazia miniatura, sabe? Comecei fazendo um moooooooonte de miniatura. Aí, um dia, eu pensei: 'poxa! mas isso é igual móvel grande, só que pequenininho'. Olha bem, que bobagem!". =)

 

Ai, ai - como diria Tatá.

 

Adoooooooro - como diria meu sumido amigo Dudu.

 

=*

 



Escrito por Ana às 20h33
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Ai, ai.

 

No momento, fazendo contas. Pensando se vale a pena investir num mestrado, se vale a pena investir em outra faculdade, se vale a pena investir na carreira de modelos caninos do Leon e da Lua. =)

Se não ficou claro: não vou investir na carreira de modelos caninos do Leon e da Lua. Eles teriam futuro, eu sei, mas tenho medo desse mundo da fama, com drogas, sexo e rock'n'roll: o Leon não está preparado para a parte do sexo.

 

TFG, TFG. A disciplina com nome redundante que pressiona a gente - Trabalho Final de Graduação. Se é de Graduação já não está claro que é Final? Ah, vida. Arquitetos. Que trabalho eles me dão! ¬¬

 

Credo. O Rafael me perguntou uma coisa e eu tive uma crise de afasia na hora em que fui responder. Medo. oO

Pensando bem, não foi afasia...Foi dislexia, mesmo.

 

Preciso parar de ver House. Maaaas...não vou. =)

 



Escrito por Ana às 17h58
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Hoje no ônibus, duas moças:

- Ah, detesto ficar parada, menina. Não consigo. Até no ônibus, pra você ver: eu leio. Tenho que ler, senão fico louca...ficar parada...

- Você lê no ônibus?

- Leio?

- Menina...! Não pode...! Pára com isso...!

- Não pode?

- Não...! Pára com isso! Você não sabe? Dá arritmia!

-É? Arritmia? Mas eu vou fazer o quê?

- Conversar, ué. Mas não lê, não, te dá um negócio e você morre.

- Ah, não é todo dia que eu gosto de conversar...

- Ah, mas não lê, não. Dá um jeito. Fala pro seu médico que você lê no ônibus: ele vai ficar muito bravo com você!

- ...

- Não pode!

- ...Vou no oftalmologista, amanhã. Marquei. Tá uma bolhinha no meu olho. Parece que tem areia. Coça, coça...

- Ihhhhh...conjuntivite.

- Conjunvitive? Mas conjuntivite não é assim. Tem uma bolhinha. Sabe?

- Bolhinha?

- É.

- De pus?

- Não. Um bolhinha.

- Deixa eu ver.

- ...

- Conjuntivite.

- É?

- É. Eu tive. Fui no médico, conjuntivite. E não põe a mão no olho, não, que vai passar pro outro.

- Passa?

- Passa. Cuidado. E fala pro médico que você lê no ônibus, pra você ver...Ele vai ficar fulo da vida.

- Mas...tem uma areinha. No olho.

- Conjuntivite.

- Arde.

- Ah, arde. Queima.

- Queima.

- Sabe o que é bom? Lavar.

- É? Com água?

- Com soro fisiológico.

- Ah. Vou lavar. Tinham mandado eu passar água boricada.

- Então, tem gente que passa. Mas você sabe, né? Água boricada dá descolamento de retina...!

 

 

Antes hipocondríacos me incomodavam. Hoje me deram um ataque de riso no meio do ônibus. A moça sentada perto do lugar em que eu estava (em pé) percebeu que eu estava chorando de rir por dentro, mordendo os lábios pra não explodir de rir, e não entendeu nada. Os hipocondríacos me divertem. Quando tem ataques de pseudo-médicos, mais ainda. Quando acham que vão ter um treco e morrer, ainda mais - morrer não depende de se ter um treco e nem de se achar: pode ter certeza, galera.

 

Ai, ai.

Adoooooooro andar de ônibus. =)



Escrito por Ana às 21h39
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Hoje mais um dos meus sonhos foi daqueles que buscam o passado, bem passado, e trazem de volta pessoas e sensações que nunca foram embora.

 

Vai saber.

 

Às vezes é bom lembrar. Mas dá até uma certa melancolia, de tanta saudade.



Escrito por Ana às 14h35
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Sobre pessoas All-Star, pessoas Rasteirinha e São José

Ir pra São José é sempre bom - porque me ajuda a lembrar quem eu sou e porque é bom, no geral, mesmo. Faço coisas legais e tal...Enfim. Em São José eu lembro quem eu sou - eu não SEI quem eu sou, mas consigo lembrar. Ou consigo saber quem eu não sou...De qualquer forma. Acho estranho não saber quem se é mas conseguir lembrar - e eu consigo, até acho bom, só não sei porque acho bom (deve ter a ver com essa coisa de princípios que os outros gostam...E porque os outros gostam, eu também acho que gosto...Sou sugestionável).

Daí acontece que eu estava pensando de comprar um All-Star pra mim. Estava, mesmo. Estava tendo problemas, porque branco suja, preto fica esbranquiçado, camuflado é muito blééééé e as outras cores não combinam com NADA. Bom. Até aí, tudo bem. Mas eu estava pensando de comprar um All-Star. Mas, o que acontece? Acontece que eu NÃO sou uma pessoa All-Star. As pessoas que usam All-Star são essas pessoas que você sabe que são pessoas All-Star, não no sentido "estrela", não isso, mas elas todas tem algo em comum, uma coisa que faz delas pessoas All-Star e que dá pra ver que une a todas elas num conjunto. Bem, eu não sou uma pessoa All-Star. Não sou. Eu nunca quis um All-Star, uma vez me deram, eu usei por uma semana e percebi que não era pra mim. Nunca quis ser uma pessoa All-Star. Eu tenho amigos All-Star, talvez a maioria dos meus amigos seja All-Star, mas eu continuo não querendo ser essa pessoa. Enfim. Não sei quem eu quero ser, mas sei quem eu não quero. Não quero ser pessoa All-Star, nem pessoa Rasteirinha, nem pessoa-bota, nem pessoa Sapato-de-Plástico, nem pessoa Salto Alto, nem Bico Fino, nem Couro de Jacaré, eu não quero. Eu sou uma pessoa Tênis. Aliás, eu sou uma pessoa Tênis-de-uma-cor-só-e-sem-amortecedor-preferencialmente-sem-ser-de-uma-grande-marca. Acho que eu sou essa pessoa.

E dessa vez eu fui pra São José, que é uma coisa boa, e aconteceu uma outra coisa boa - eu comecei a ler O Apanhador no Campo de Centeio. Me identifico com o protagonista (devo ficar preocupada? Mas juro que não me identifico tanto, assim, só um pouco). E daí juntando tudo isso, pude perceber que não posso comprar um All-Star. Não quero comprar um All-Star. Que não sou uma pessoa All-Star - e fiquei preocupada com a pessoa que eu estou virando. Talvez não comprar o All-Star ajude a não virar, eu tenho esperança. Gosto de algumas pessoas All-Star, mas não estou pronta para ser uma delas. Não quero SER uma delas. É como gostar, sei lá, do Eddie Vedder do Pearl Jam e não querer ser ele. Simples, assim.

Bom. Acho que não corro o risco de comprar um All-Star pelos próximos seis meses - costumo me lembrar bem de coisas por mais tempo, mas lembre-se de que sou sugestionável. E em um período de seis meses eu devo voltar mais vezes pra São José. Isso. Acho que posso ficar sossegada, enquanto vou lembrando de quem eu sou e, principalmente, do que não quero ser. Enquanto não SEI quem eu sou, essas duas coisas já ajudam bastante. 



Escrito por Ana às 13h17
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Não consigo entender muito bem meu Trabalho Final de Graduação, não consigo fazer assessoria, o Rafael vai pra São Carlos toda semana, agora - e eu não, porque a UFSCar se foi para sempre. Fiquei com uma camiseta. Não quero usar a camiseta, porque me lembra do curso que eu não vou fazer. Quero ligar na UFSCar e cancelar minha matrícula antes de ser jubilada pela não-confirmação (acho mais educado, sei lá), mas não quero fazer isso...é definitivo demais, eu acho. Não que as decisões da vida não sejam definitivas, mas poder fingir que elas não são me causa um agrado descomunal.

Estou ouvindo muito a trilha sonora de Juno, acho que isso não está me fazendo bem, exatamente. Vícios, vícios. =]

 

No momento estou tentando me decidir se escrevo um projeto de mestrado para mandar para a seleção em julho/agosto ou se fico na minha - se eu não passar no Trabalho Final de Graduação e passar (com sorte) no mestrado, vou ficar um mês tendo pensamentos destrutivos e/ou suicidas. Por outro lado, pensando bem, se eu não passa no Trabalho Final de Graduação (vulgo TFG), eu já vou ficar assim de qualquer jeito. O máximo que pode acontecer é eu não passar no mestrado e ficar um pouquinho (só um pouquinho ^^ ) mais decepcionada. Ah. Deixa. Acho que vale arriscar. Ou não, como diria Caetano, meu eu vou arriscar do mesmo jeito.

 

"And in the sea there is a fish/ A fish that has a secret wish/ A wish to be a big cactus/ With a pink flower on it".



Escrito por Ana às 08h56
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Sem novas. Aliás, são tantas novas que eu estou num daqueles momentos em que parece que nada mudou e tudo continua exatamente igual. Fico pensando sem parar nas mesmas coisas, como se eu estivesse perdida dentro de um labirinto que só existe na minha mente. Paciência. O pior não é estar no labirinto: o pior é que eu sempre me engano com as mesmas passagens e não percebo que estou andando em círculos.

Andei lendo algumas coisas e cheguei à duas conclusões bastante divergentes: ou as pessoas no Brasil escrevem muito mal ou as editoras são muito cruéis e nepotistas. Para o bem da nação, o melhor seria que o correto fosse a segunda opção (perdão pela rima não proposital). Para o meu próprio bem, egoisticamente falando, seria bom que as pessoas do Brasil estivessem escrevendo muito mal. Essas conclusões se devem as minhas incursões no orkut, pesquisando editoras pra mandar o meu original. Fiquei desanimada, porque aparentemente as editoras só querem fodões ou clichês do momento. Aí leio o que as pessoas estão mandando para as editoras e percebo porque elas não conseguem ser publicadas. ¬¬ Não que eu me ache publicável, longe disso, não sou comercial, não sou parente de ninguém importante, não sou importante eu mesma - mas também não estranho que recusem meu original (como a maioria dos escritores meia-boca do país e do mundo).

Acho que no final este povo meio artista tem uma coisa igual - o ego. Todo mundo acha o que faz o suprasumo. Eu não sirvo pra ser artista quando penso no meu ego - eu sou arrogante, sou arrogante de verdade (e o pior, com qualquer um: desrespeito graus de hierarquia), mas duvido de tudo o que faço e já fico preparada para o "não". Não sou nada artista quando penso nisso. Nada, nada.

O Leon e a Lua emagreceram. Estou comendo horrores, mas (ainda) não engordei.

Ando animada com coisas de arquitetura, embora meu futuro profissional ainda seja incerto e o medo do desemprego esteja cada vez maior. Ironias do destino.

Estava ouvindo Chico Buarque, esses dias. E Milton. Essa galerinha. Tô ficando é velha. =]



Escrito por Ana às 08h41
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Meu blog cinza de novo! ^^ A cor-sem-cor mais bonita que existe! =]

 

Fui lá e fiz matrícula. Pintaram meu cabelo, meu rosto, minhas unhas, minha roupa, até um pedaço do meu brinco e da minha bolsa. Tive que tomar banho na Federal. Fiz uso do meu terceiro lugar no vestibular e escolhi inglês como segunda língua. O trânsito de São Carlos estava um caos. Cheguei em casa e vi que já tinha rodado a segunda chamada da UNICAMP, com a minha vaguinha sendo preenchida. Achei que fosse me importar mais. Vejo todo mundo falando bem do curso na Federal - e isso tem me preenchido de um jeito que parece que eu já estou lá. Ainda assim, prefiro continuar pessimista e achar que as coisas não vão dar certo (se tudo realmente der certo, vou ficar feliz duas vezes). Preciso imprimir meu livro, o prazo de envio de originais para a Companhia das Letras começa em Março. E eu poderia mandar pra Nobel, também. E preciso decidir o que vou fazer de Trabalho Final de Graduação, em Arquitetura. E preciso escrever um poema sobre ele, também. Ando séria, distante e perdida, mas feliz quando ignoro todas as adversidades e penso só nas possibilidades. Ai, preciso ler um romance bem piegas agora, pra casar com o meu espírito cheio de esperança e reticências. O Rafael disse que eu nasci pra fazer Letras e que agora vai dar certo. Ontem, em um filme bem estranho que passou no TeleCine, uma atriz secundária disse uma coisa que mexeu comigo: "ninguém é corajoso o suficiente pra fazer o que realmente quer...só estúpido o bastante para não fazer". Danadinha. Ela sabe, mesmo, das coisas.



Escrito por Ana às 10h23
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Ai, ai.

 

Eu realmente acredito que as coisas são mesmo muito simples - só não sei como faço para aplicar este conceito tão poderoso na minha vida tão sem poderio. Ultimamente tenho visto tanta distância entre a teoria e a prática que só posso chegar a conclusão de que são partes excludentes e não complementares de uma mesma verdade inventada. Enfim. Pouco importa, no final das contas, mas eu consigo me importar bastante com coisas que não importam nada. Ou importa, realmente, mas estou tão acostumada a pensar que as coisas são só as coisas que nem dá gosto de pensar o contrário.

Amanhã tem matrícula em São Carlos - ou em Campinas, se eu tivesse resolvido ir pra UNICAMP. Em uma hora eu mudei de idéia três vezes sobre o que fazer. Bom, devem ter sido quatro vezes, na verdade, já que eu acabei com a mesma idéia - o que implica, invariavelmente, em um número de "mudanças de idéia" par. Como não foram só duas vezes que eu mudei de idéia, devem ter sido quatro. Ou mais. Mas quatro é um número razoável, vou ficar com ele.

E em mim tem um parte vibrando, cheia de esperança, louca pra descobrir o que vem pela frente. E uma outra parte já desacreditada, de braços cruzados, certa de que vai dar tudo errado e desanimada de ver as coisas dando errado. Não com relação à nova faculdade, não isso. Eu sempre tenho olhos positivos para as mudanças - embora eles durem muito pouco, é verdade. Mas tenho. Por outro lado, tem algo em mim que hoje está de luto e eu não sei o que é. Ah. Vai saber.

 

E este post nem combina com este blog cor-de-rosa. Quero meu cinza de volta. A única cor que eu sei ser de corpo e alma. É a vida.



Escrito por Ana às 20h38
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Não estranhe a cor. E nem o tamanho da letra. Pagando promessa para o Dudu - o blog vai ficar uma semana assim, porque fui aprovada na UNICAMP e na UFSCar.

 

Rosa me incomoda, um pouco.

 

 

Dane-se, cara! Passei na UNICAMP e na UFSCar! Uhull!!!! \o/

*LETRAS 2008*



Escrito por Ana às 19h13
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Ai, ai.

Quem disse que eu consigo fazer o negócio da Santa Casa? Quem disse?

UFSCar  - UNICAMP - UNICAMP - UFSCar.

 

Andei fazendo contas: se tooooooooooodo mundo que prestou vestibular na UFSCar passar na Fuvest, ainda sobram vagas na USP para os outros mortais. São 849 vagas lá, em São Paulo, numa faculdade de nome, com vários idiomas. Se eu pudesse mandar um recado para o mundo, seria: vai pra lá, galera! ^^ Deixem uma das 40 vaguinhas da UFSCar pra mim! Ou uma das 30 da UNICAMP. Fiquem com a grande metrópole nacional! =]

Enfim. Mas eu não posso mandar um recado para o mundo. Fazer o quê?

 

Com sorte, eu ainda consigo fazer a planta dos consultórios oncológicos da Santa Casa, meu querido estágio-de-arquiteta - e assistir à apuração das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro - sem pensar (muito) em vestibulares.

 

Ou não.



Escrito por Ana às 11h27
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Verdade. Eu não posto mais. Mas desculpas gastam mais caracteres do que eu estou disposta a utilizar, então vou simplesmente ignorar este fato.

 

Tenho passado a maior parte do meu tempo não-livre de férias pensando em contos que eu poderia escrever - mas não escrevo. Livros que eu poderia começar - mas não começo. Editoras para onde eu poderia mandar o livro que eu já comecei e já terminei - mas não mando. Oh, vida. Por que eu sou assim, cheia de delongas? Enfim. Fora isso, também estou gastando um tempo razoável em como seria bom se eu pudesse ganhar a vida só escrevendo (o que constitiu um grandíssimo paradoxo, já que eu não escrevo - ou seja, não ganharia a vida e passaria a mendigar pelas calçadas).

Fora isso, comecei a pensar na possibilidade de escrever um roteiro. Estou decidida! Agora só falta aprender: como é que se escreve um roteiro? Acho que tem que começar com aquilo de "lugar, tempo, Fulana e Ciclana conversam (ou qualquer outro verbo) sobre uma coisa qualquer". Acho que começa assim. Mas não tenho a menor idéia de pr´aonde ir depois disso.

 

Resolvi usr "aonde". Um absurdo as pessoas não usarem este advérbio. Acho o "onde" um vocábulo muito dominador, sabe? Não dá espaço para o outro.

 

Enfim.

 

 

Aguardando resultados de vestibulares - como se eu tivesse 17 anos. Extremamente feliz, no entanto. =D



Escrito por Ana às 18h15
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